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Leia artigo de João Ericeira sobre Cátedra G.Dias

João Ericeira no lançamento da Cátedra Gonçalves Dias, no último 9 de agosto

Por: João Batista Ericeira*

O crítico literário Álvaro Lins, em “Os Mortos de Sobrecasaca”, contendo estudos e ensaios a respeito da obra de Aluísio de Azevedo, o autor do romance “O Mulato”, reporta-se a sociedade de São Luís do Maranhão, preconceituosa, conservadora. O prosador foi rejeitado pela província, houve um jornalista que o desancou, dizendo que seria melhor ter se dedicado a lavoura. Só após vencer na capital do Império obteve o reconhecimento dos conterrâneos. O mesmo aconteceu anos antes com o poeta Antônio Gonçalves Dias, após triunfar na Corte, mereceu o reconhecimento e aprovação dos maranhenses. Manteve em relação à província sentimento complexos, de ternura, mas também de raiva, e de saudade para com a província amada. Afinal, consta que os preconceitos provincianos foram determinantes para o insucesso amoroso do seu caso com a musa de toda a vida, Ana Amélia.

Fato é que no contexto histórico do Segundo Reinado, quando a unidade e identidade nacionais se consolidaram, a obra poética de Gonçalves Dias, a sua prosa, peças teatrais, estudos científicos, foram determinantes para a afirmação da nacionalidade. O poeta recebeu homenagens póstumas em todo o Brasil e no Maranhão. Sua presença é ainda visível no panorama literário brasileiro e maranhense. Desencadeou-se um caudal de biografias, estudos, e monumentos para homenageá-lo. Ruas e avenidas foram inauguradas com o seu nome. A biografia do escritor Josué Montello, além da primorosa de autoria de Lucia Miguel Pereira, publicada inclusive pelo Senado Federal. Em 10 de agosto de 2023 será comemorado o bicentenário de nascimento do poeta em Aldeias Altas, depois Caxias, no Maranhão, que ele adorava e ao mesmo tempo execrava os vícios. Antecipando e preparando as comemorações do bicentenário, duas instituições idôneas, em convênio, criaram a Cátedra Gonçalves Dias, para a produção de pesquisas nas áreas literária e socioeconômica.

A cátedra universitária destina-se também a fomentar debates em torno de figura que tenha destacado em área do conhecimento, preservando sua obra intelectual e igualmente atualizando-a. O campo de atuação de Gonçalves Dias é vasto. Poeta, teatrólogo, cronista, historiador, etnólogo, é considerado por muitos críticos o fundador do humanismo brasileiro, ao lado de outros ilustres maranhenses: Odorico Mendes, João Lisboa, Sotero dos Reis, Gomes de Souza e Cândido Mendes, que deram a província o título de Atenas Brasileira. Comentando a biografia escrita por Lucia Miguel Pereira, Álvaro Lins exaltou -lhe a técnica de expor a figura de Gonçalves Dias através de documentos de sua autoria: correspondências, diários, poesias, textos de prosa, peças de teatro. É Gonçalves Dias por ele próprio, como costumam fazer os biógrafos norte-americanos, graças a sua persistente e paciente análise para a seleção dos documentos. Chama-lhe de biografia completa, no entanto, lhe faz duas ressalvas: a existência de quadro mais compreensivo do ambiente social do Maranhão da época; e um estudo de conjunto sobre o papel do grupo maranhense na vida literária brasileira do século XIX.

Sem querer, o embaixador, escritor Álvaro Lins, faz um desafio a Cátedra Gonçalves Dias: a formulação de estudos permitindo a melhor interpretação do Maranhão e do Brasil. O poeta em trabalhos como “História dos Jesuítas”, “Brasil e Oceania”, “Meditação” tenta fazê-lo, naturalmente, utilizando os recursos metodológicos disponíveis àquele tempo. Durante a celebração do Centenário da Faculdade de Direito, em abril do ano passado, sob a instigação de Rossini Corrêa, adveio a ideia da Cátedra apoiada por Sergio Tamer, Jhonatan Almada e Raimundo Palhano. De pronto lhes disse: a Academia Maranhense de Letras Jurídicas dará integral apoio, contando com a de instituições congêneres. Assim, a Faculdade SVT e o IEMA instalaram a Cátedra no Auditório da Reitoria. Aldy Mello de Araújo, pela SVT Faculdade e Jhonatan Almada, pelo IEMA, assinaram o termo de criação da Cátedra.

 

*João Batista Ericeira é professor e advogado, coordenador do Núcleo de Ciência Política da SVT Faculdade​ e conselheiro da Fundação Sousândrade